#XCongresoUPEC: Discurso de Miguel Díaz-Canel no encerramento do 10º Congresso da UPEC

Miguel Mario Díaz Canel Photo: Endrys Correa Vaillant

Bem, para começar a cumprir os mandatos do Congresso e apoiar Ronquillo e a nova diretoria, antes de dezembro eu vou estar no Twitter (Aplausos e exclamações)

Companheiros da liderança do Partido, do Estado e o Governo presentes aqui;

Prezados Prêmios Nacionais de Jornalismo;

Caros jornalistas:

Depois de nossas mais recentes turnês por várias províncias e nos dias deste congresso, dois âmbitos que nos permitem compartilhar experiências e meditações com a imprensa nacional, de uma maneira mais próxima, eu entendi melhor por que Fidel pediu em certa ocasião, que o considerassem como mais um de vocês.

Os jornalistas cubanos têm o mérito inegável de ter sustentado a voz da nação nas circunstâncias e nos tempos mais adversos, com admirável lealdade, alto senso de responsabilidade, talento, inteligência e entusiasmo contagiante, que sempre gera propostas interessantes.

Não se pode esperar menos daqueles que se orgulham de pertencer a uma agremiação enobrecida desde suas origens por intelectuais como José Martí, Fidel Castro e os líderes mais brilhantes da Revolução, desde 1868 até os dias de hoje.

Hoje, após longos e cansativos anos sob o cerco simultâneo das mais severas deficiências materiais e as inaceitáveis ​​incompreensões de algumas das nossas próprias fontes, é legítimo reconhecer que a maioria de vocês teve que lutar muito para exercer com dignidade uma profissão que exige não só talento e esforço, mas também ideais muito elevados para rejeitar, em meio a grandes sacrifícios econômicos, as ofertas de pagamentos relativamente «generosos» que a lucrativa indústria das campanhas contra Cuba, de maneira oportunista e cínica, põe à disposição daqueles que têm preço ou acreditam ingenuamente no falso discurso libertário dos apologistas do mercado.

Poderíamos dizer que nunca foi tão desafiador o panorama da mídia nunca, mas seríamos injustos com a história de uma Revolução que não conheceu uma trégua em seu árduo esforço para conquistar toda a justiça e que, desde o primeiro dia, como faz lembrar a frase de Fidel que presidiu o Congresso, entendeu o papel central do jornalismo na defesa da fortaleza sitiada.

Como imaginar sem a inúmera imprensa clandestina e guerrilheira ou sem a Radio Rebelde o rápido avanço do Exército Rebelde? O que teria acontecido com a recém-nascida Revolução sem a brilhante «Operação Verdade»? Acaso não foi vencida a guerra da mídia que roubou o nome do Apóstolo, transmitindo a partir de um avião, com tecnologias e novos projetos jornalísticos que revolucionaram o rádio e a televisão na época e ainda hoje?

Graças ao entendimento de que sua verdade precisa do jornalismo, Cuba foi capaz de construir um sistema de mídia pública cuja principal força são vocês, os jornalistas, mais eficazes e mais autênticos, originais e criativos ao dizer à nação e ao mundo a verdade que «está precisando de vocês».

O que podemos dizer agora é que, embora a revolução das TICs, a era da Internet e a tirania das empresas envolvidas no negócio de comunicações nos apresentem desafios cada vez mais fortes em nossa condição de economia subdesenvolvida, o país não se submeteu às regras de seu adversário nem abriu mão da soberania em nome da rápida modernidade.

E que, ainda que uma chuva de tentativas queira devolver-nos ao passado de sensacionalismo e imprensa privada, sob novas máscaras, nem a mídia pública cubana nem seus jornalistas estão à venda.

Eu não acuso injustamente. Eu aponto para a guerra aberta que está sendo travada contra nós e que, sob o guarda-chuva de tempos melhores nas relações sempre frágeis com o vizinho poderoso que nos despreza, tem aumentado no ataque contra aquilo que nos une — o Partido — e aquilo nos defende — nossa imprensa — desqualificando ambos continuamente e tentando fraturar e separar o que vem de uma mesma raiz e cresce no mesmo tronco.

Díaz-Canel cumprimenta Ricardo Ronquillo Bello, recém-eleito presidente da União dos Jornalistas de Cuba. Photo: Endrys Correa Vaillant

Aludindo ao tipo de missão que estes órgãos da mídia tentam cumprir, com uma surpreendente articulação que desmente sua suposta liberdade, MH Lagarde, desenhou com ironia mas sem eufemismos, a nova classe de líderes que nos é vendida, a partir desses espaços. Eu recomendo a leitura completa de «Os novos revolucionários», acerca dos quais Lagarde afirma:

«…Os novos revolucionários juram e perjuram que não são assalariados do pensamento oficial, mas aceitam bolsas de estudos em universidades dos Estados Unidos ou recebem cursos de jornalismo na Holanda, onde certamente os ensinam a defender o socialismo em Cuba». Devemos supor que tais cursos e bolsas de estudo são gratuitos.

«Os novos revolucionários pedem desobediência quando a união é mais necessária. Para eles, especialistas também em política, nada tem a ver com Cuba a perseguição «judiciária» dos líderes esquerdistas na América Latina, as tentativas de golpes suaves e invasões na Venezuela e na Nicarágua.

«Os novos revolucionários são democráticos e respeitosos das opiniões contrárias, de modo que aqueles que não compartilham suas posições são: submissos, cordeiros, obedientes, medíocres, talibãs, khmer vermelhos, stalinistas, pró-governo e repressores».

«A principal missão, portanto, dos novos revolucionários é a de dividir algo que, sem dúvida, às vezes eles conseguem».

O texto de Lagarde é um pouco mais extenso, mas estas ideias são suficientes, porque definem o desafio mais urgente desta época, nesta parte do mundo.

Sei que os documentos teóricos e os debates do Congresso, sem ignorar, esquecer ou rejeitar as urgências internas, que no final também são estratégicas, apontaram para a centralidade daquela batalha que nunca cessará, entre a lógica do capital, egoísta e excludente e nossa lógica socialista e martiana, fidelista, solidária e generosa.

Porque, embora nos queiram vender outra versão dos fatos, a realidade teimosa está muito à vista, descarregando suas consequências naqueles que acreditavam que o lobo era uma ovelha.

É ou não é, desde os idos de Shakespeare.

É claro que o Congresso tem sido muito mais do que esse debate central e estamos felizes. Em primeiro lugar, vale a pena celebrar que chegamos a esta décima edição com a Política de Comunicação Social, documento que define, finalmente, como um direito do cidadão e como bem público, o acesso à informação, comunicação e conhecimento; que dá a mais alta autoridade aos executivos da imprensa; que corta a sociedade e estabelece obrigações neste sentido para as instituições, organismos, autoridades; que defende os valores e símbolos da nação e ordena o respeito pela diversidade que somos. Que declara a comunicação como um recurso estratégico da administração estatal e governamental e define a natureza pública dos serviços de radiodifusão e comunicação e reconhece apenas dois tipos de propriedade para os meios de comunicação de massa: o estado e as mídias sociais.

A União dos Jornalistas (UPEC) e a Faculdade de Comunicação da Universidade de Havana têm sido parte ativa da elaboração da política e do seu ajuste e adaptação aos tempos atuais. Praticamente toda a agremiação participou de discussões fundamentais para sua posterior aplicação. Há um entusiasmo no Congresso pelas portas que se abrem para as preocupações históricas e recentes do setor, como os sistemas de gestão que conferem maior autonomia à mídia e seu fortalecimento, ordenamento, renovação tecnológica. Entendo que estejam raivosos aqueles que não foram convidados para a análise, porque não fazem parte da UPEC, nem da sociedade cubana que ganhou com sacrifício e esforço o direito exclusivo de discutir como projetar o futuro.

E, claro, não estamos surpresos que eles tenham começado a lançar rios de intrigas contra o Partido e o sistema da mídia do país, os assalariados do pensamento único mundial, em sua versão crioula ou estrangeira. O que eles esperavam? O que sugerem? Darmos, por exemplo, nossas agências de notícias às armas do mercado e jogar seus jornalistas para as ruas? Pois não. Nossa Telam não será sangrada. O Fundo Monetário Internacional (FMI) não manda em Cuba.

Pelas notícias que recebi desde os primeiros dias do Congresso, este foi um evento de sucesso, com economia de relatórios e abordagens sólidas e contributivas, a partir da experiência nas bases da organização nos órgãos da mídia e na academia. Acho que isso é porque a UPEC não parou de trabalhar nesses anos, nem mesmo nos mais desconcertantes e duros, quando perderam seu líder natural e formal, o irmão Moltó, como eu sei que eles gostam de chamar, pelo espírito de camaradagem que ele deixou como um estilo de trabalho e sua relação especial com as bases, em qualquer nível.

Sua brilhante definição do que é a UPEC, sua batalha para atrair jovens a qualquer que seja a luta de Cuba e sua capacidade de promover, inclusive o impulso para a informatização, o uso das redes sociais e o uso intenso das contribuições da Faculdade, deixa uma rota marcada pela qual hoje começará a andar uma comissão nacional renovada, sem quebrar a continuidade.

Os resumos das comissões serão uma ferramenta de trabalho útil para assumir os novos espaços da mídia, sem medos, criativamente à ofensiva, superando as vantagens tecnológicas das plataformas colonizadoras com o talento e criatividade que nossa natureza batalhadora nos deu e a herança cultural e política que Fidel nos deixou, que Raúl e seus companheiros da geração histórica continuam nos dando.

Não esqueço as exigências mais fortes que vocês nos fizeram: o salário, insuficiente e ancorado em velhas resoluções que devem ser descartadas; a precária situação material dos meios de comunicação e dos jornalistas, assunto no qual a luz já começa a aparecer no fim do túnel de nossa eterna escassez, pelo menos nas províncias, onde as necessidades dos jornalistas e de suas mídias foram levadas em conta no emprego de 1% da contribuição territorial (renda local).

Ninguém está melhor preparado do que vocês para entender que o que está pendente é muito mais do que a necessidade de uma agremiação. É a necessidade de um povo, nobre e trabalhador, cujas histórias humanas, heróicas e comoventes ainda não foram totalmente contadas. Como está por se parecer mais ao país que somos, o país que nossa mídia mostra. Podem faltar recursos materiais, mas não pode faltar o recurso moral e a ética revolucionária, essa com que vocês contribuem diariamente, aquela que Víctor Joaquín e Aroldo defendem.

Por termos defendido esses valores, somos Cuba!

Como pedi que me considerassem mais um de vocês, também sinto uma grande responsabilidade na grande tarefa que temos pela frente vocês e nós, o Partido, o Estado e o Governo, para resolver nossas numerosas dívidas com a história passada e recente, que é, ao mesmo tempo, com o futuro.

Sim, a verdade precisa de vocês. E a Revolução, tal como José Martí e Fidel nos ensinaram, é essa verdade maior que nós mesmos.

Estaremos nos vendo no caminho rumo àquele horizonte que nos devemos.

Muito obrigado (Ovação).

 

Fonte: Granma

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